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A vida pede espaço

Em algumas cidades do mundo, a integração das bicicletas ao trânsito vêm de décadas – Holanda, por exemplo – e o respeito ao ciclista é como que natural, óbvio.  No Brasil, participar do tráfego pedalando é um costume recente, que está se espalhando como fruto da insatisfação causada pelos congestionamento nas metrópoles, da busca por hábitos mais saudáveis, da consciência ambiental e, claro, do simples prazer de andar de bicicleta.

Questão pungente é “como ter segurança em meio ao trânsito?”. “Mais ciclovias!”, clamam muitos. Em São Paulo, há 35 km de ciclovias, sendo as mais famosas as da Marginal Pinheiros e dos parques Ibirapuera e Villa Lobos. Nos finais de semana, elas costumam atrair famílias inteiras dispostas a se divertir pedalando.

Esses espaços são de fundamental importância para o exercício da cidadania. Crianças, idosos, ciclistas e sedentários em horário comercial passeiam juntos, em segurança e podem, finalmente, curtir a cidade. Esses benefícios, porém, deveriam ser notados em todos os dias e, principalmente, por quem usa a bicicleta como veículo.

Um erro comum dos governos é contemplá-la apenas como objeto de lazer, e não como meio de transporte, contrariando o que está disposto no Código de Trânsito Brasileiro. Projetos de complexos cicloviários que permitam a mobilidade eficiente sobre duas rodas são escassos e, pior, demoram a ser concretizados. Baixa relação custo benefício definitivamente não é a causa desse problema. Na verdade, a intocabilidade do espaço destinado aos carros e a burocracia anterior à realização dos projetos os mantêm no papel.

Uma área onde é possível pedalar em segurança torna-se um ímã de bem estar. Da bike desempoeirada, do lazer, adotar um novo meio de transporte aparece como uma interessante opção. A torcida fica para que a união nas ciclovias se propague para além delas e dê peso às manifestações dos ciclistas em busca de redes funcionais. O propósito não é reduzir o espaço dos carros, mas, sim, o de aumentar o dos humanos.