Pilotar é preciso
Era uma vez um menino que, desde pequeno, queria a liberdade. Nasceu gritando forte para levar o máximo possível de ar aos pulmões – queria respirar sozinho. Cresceu um pouco, gostava do colo da mãe e do berço, mas queria alcançar a vida que parecia exclusiva aos olhos: botou-se de pé e começou a andar.
Aos quatro anos, escalando montanhas nos muros e estantes da casa, desvendando veredas nas corridas ofegantes pelas ruas do bairro, sentiu que precisava ser mais rápido. Subiu numa bicicleta de quatro rodas, caiu, se ralou, pedalou e dominou a máquina, agora com duas rodas.
Com dezoito anos, olhou ao redor e se percebeu imerso num mar de possibilidades, de experiências desejosas de serem vividas. Cortou o cabelo, fez a pouca barba, procurou emprego, apresentou o relatório, mudou de baia, saiu de casa. Tornou-se, enfim, independente.
Acordou cedo todos os dias, voltou para casa exausto na mesma frequência. Começou a se preocupar com os planos a serem executados, pagou as contas que estavam debaixo da porta, leu aquele caderno do jornal, ligou a televisão no horário de sempre e se sentiu normal. Lembrou com leve desgosto do trânsito que enfrentaria na manhã seguinte e foi dormir.
No amanhã, o despertador lembrou de acordar cedo, chegou pontualmente, trabalhou com afinco e saiu cansado. Foi e voltou de moto.
Sentiu-se livre.
Pilotou em horário comercial e aos finais de semana. A menina do nome fácil de esquecer virou esposa e mãe da bebê. O apê virou casa, a mulher abriu uma loja, a baia virou mesa – depois sala -, a menina saiu sozinha do berço e a vida continuou.
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A vontade de ser livre confunde-se com a de viver. No Dia do Motociclista, nós, do Salão Duas Rodas, parabenizamos essa galera que, apesar da rotina e das obrigações diárias, não trata um desejo tão visceral como opção.
Feliz Dia do Motociclista!









Muito Bonito o texto! Parabéns
e também Parabéns a todos os motociclistas!
pela coragem e pelo empenho em ser livre!