Yamaha e Rafael Paschoalin: um projeto brasileiro de projeção internacional

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O projeto do piloto brasileiro Rafael Paschoalin deixou de ser uma loucura para muitos quando venceu, nos Estados Unidos, a corrida de subida de montanha mais temida do mundo, a Pikes Peak, ganhando projeção internacional.

Talvez você já conheça ou tenha ouvido falar de Rafael Paschoalin, piloto que tem nas competições de moto sua vida, além dos três filhos, que de uma forma ou outra, já seguem seus passos.

Um cara do bem ?

Tive o privilégio de trabalhar e aprender com ele na extinta revista Quatro Rodas Moto, ele é um cara humilde, bom pra cacete no que faz e está sempre atento com as pessoas a seu redor. Mas o que vou falar aqui é sobre seus ambiciosos projetos de corrida de rua. Ele colocou na cabeça que queria ser o primeiro brasileiro a correr na Ilha de Mann e foi, mas para isto precisou fazer o vestibular em outras corridas do gênero como a Noth West e o GP de Macau, para aprender e conseguir o “alvará” para participar da sonhada TT Isle of Mann, conseguiu e o fez pela primeira vez em 2013.

Mais um projeto ousado ??

Piloto Rafael Paschoalin

Já com o patrocínio da Yamaha, Rafael pesquisou tudo sobre a corrida de subida de montanha norte-americana Pikes Peak e recebeu o apoio total da marca dos diapasões para seguir em frente com seu projeto. A primeira participação foi em 2016 com uma MT-07. No ano seguinte conseguiu a segunda posição na categoria Midlewight, grande resultado, mas pouco ainda para sua ambição. Mudanças no regulamento do ano seguinte forçaram a sua participação com uma moto de maior cilindrada e a Yamaha MT-09 foi a escolhida. Chegou em terceiro na categoria.

Novas mudanças no regulamento o fizeram decidir por voltar a participar com a MT-07, e continuar a desenvolver a MT-07 que ele já conhecia e havia conseguido o segundo lugar.

Este ano, depois de muito trabalho com seus preparadores e mais de quatrocentas horas de puxadas em dinamômetro, finalmente, Rafael Paschoalin foi o campeão de Pikes Peak. Esforço de um bocado de pessoas que acreditaram em seu projeto e conseguiram contribuir com o sucesso na subida de montanha no Colorado, Estados Unidos.

O mais legal é que no Salão Duas Rodas você vai poder comparar a MT-07 original com a que o Rafa Paschoalin veneu em Pikes Peak. Esta moto foi montada em Manaus, o projeto, a preparação e o piloto são brasileiros, este talvez seja o maior troféu.

Rafael Paschoalin em ação!

Para você reparar na MT-07 do Rafael Paschoalin quando estiver no estande da Yamaha ?

Apesar de ela parecer bastante com o modelo original, foram feitas muitas modificações para adequá-la a seu modo de pilotar e para aumentar a potência (já que na categoria competiria com motocicletas como a Duke 790 que, originalmente, tem 105 cv). Também teve que ajustar as suspensões por conta das particularidades da estrada de asfalto liso e por conta da grande diferença de temperatura do pavimento. Por último, aliviar peso, para entre outras coisas ganhar agilidade nas curvas.

Mais potência ?

Alívio de peso com a retirada de alguns componentes internos para diminuir o arrasto interno. Foi eliminado o estator e o regulador da corrente de comando deixou de ser automático e passou a ser manual por parafuso e contra porca, mais leve;

Maior taxa de compressão, passou para 15:1;

Retrabalho nos dutos de admissão e escape e no comando de válvulas;

Ajuste de injeção por módulo eletrônico;

Sistema de escapamento e ponteira dimensionados para o novo motor Jescape;

Colocação de sonda lambda extra para o ajuste da injeção através do módulo;

Eliminação da caixa de ar;

Troca da bateria por uma de íons de Lítio (muito mais leve, porém de curta duração);

Mudanças no chassi ?

Para chegar na posição de pilotagem ideal, fizeram uma funilaria no tanque para rebaixá-lo aproximadamente 25 mm e assim utilizar um guidão e MT-03 montado de cabeça para baixo.

O guidão também recebeu batentes reduzindo o ângulo de esterço para limitar seu movimento e oscilações.

As pedaleiras foram fabricadas sob medida para a estatura do Rafa e na posição exata para a melhor distribuição de peso do conjunto.

O amortecedor traseiro foi substituído por um da italiana Mupo, totalmente ajustável. Nas bengalas foram adotados cartuchos da mesma marca.

A Pirelli ajudou na escolha da melhor opção de pneus para as características da estrada, que tem como maiores desafios o asfalto pouco abrasivo e a grande diferença de temperatura (aproximadamente 15° C) e pressão atmosférica do ponto da largada (2.300 metros e altitude) à linha de chegada (pouco mais de 4.300 metros).

A escolha foi pelos Diablo Corsa SC1 (pneus de competição com composto intermediário)

Nos freios todo o sistema recebeu mangueiras tipo aeroquipe da Hell, foi instalada uma bomba de acionamento radial Brembo, pastilhas de carbono AP Racing e o ABS foi eliminado.

A corrente de transmissão foi substituída por outra mais leve e estreita, sem retentores para menor arrasto e a coroa é fabricada em alumínio.

O nível de preparação chega ao nível de trabalhar os rolamentos de roda, tirando-lhes a graxa e colocando outro produto para fazê-la rodar mais livres.

Na maioria das vezes só vemos a festa do pódio e os louros da vitória, mas se você analisar a quantidade de modificações feitas na motocicleta e pensar que uma porção pode não ter dado certo, fica impossível dimensionar a quantidade de trabalho que todos os envolvidos tiveram, por isso deve-se parabenizar a cada um que colocou sua gota de suor no projeto e, principalmente aos que acreditaram e deram as condições para que fosse executado.

Parabéns equipe! ?

Veja as fotos dos detalhes.

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